domingo, 4 de novembro de 2007

Desemprego e livre mercado

[1] Existem poucos nonsenses mais absurdos em economia do que a “negação da escassez”. A noção de escassez é basicamente o pilar daquilo que se entende por economia, seja a visão mais clássica que entendia tal ciência como o estudo da produção e distribuição da riqueza, seja a visão moderna, da economia como uma teoria da escolha, da ação humana. A escassez, mais do que uma simples hipóteses, é um dado da realidade, captado instantânea e invariavelmente pela razão. O “puzzle” que pergunta como alguém pode ser onipotente se pode fazer algo que não possa desfazer é um exemplo da escassez como uma lei natural ao ser racional chamado homem. Segue-se automaticamente da escassez a idéia de escolha: de abrir mão de X para obter Y. Não é possível ter tudo!

[2] No entanto, muitos teóricos da suposta teoria da escolha, a economia, não se atentaram para esse dado básico. E não foram poucos: hoje existem verdadeiras escolas de economia cuja teoria é basicamente uma velada rejeição da idéia de escassez. Digo velada porque seria absurdo demais desafiar frontalmente tal fato, apesar de existirem alguns malucos, principalmente socialistas, que o fazem – o que tornaria a própria ideologia deles um completo exercício mental inútil, afinal, que luta de classes poderia haver sem escassez? Distribuir o que, senão existe escassez?

[3] Uma das maiores aplicações da rejeição da escassez é a idéia de desemprego “involuntário”. O termo involuntário não ajuda muito, mas basicamente ele tem a seguinte conotação: aquele cara que quer trabalhar, ao “salário de mercado”, arruma trabalho. Salário de mercado também é outro termo complicado. Em geral é definido como aquele salário que equilibra oferta e demanda de trabalho, portanto tautologicamente não existiria desemprego involuntário, dado que àquele salário toda a oferta de trabalho (os que querem trabalhar) é igual à demanda por trabalho (isso é o que significa equilibrar oferta e demanda). No fim do texto voltarei a comentar sobre o termo “salário de mercado”.

[4] Agora, mais importante que as picuinhas quanto aos termos, é a idéia por trás da idéia de desemprego. Trabalho é um “bem” para os demandantes e, mais que isso, um bem escasso. A imensa maioria dos bens que consumimos é produzida com ajuda de “trabalho”. Se o trabalho não fosse escasso, tais bens também não seriam. Alguém pode reclamar do raciocínio dizendo que ainda existem outros fatores de produção como terra, capital, tempo, tecnologia etc.. Mas suponhamos que o trabalho não seja escasso. Se o trabalho é não escasso, então o tempo não pode ser escasso também, afinal, se gastássemos tempo trabalhando, então o trabalho não seria não escasso, custaria tempo! E capital e tecnologia? Todas essas coisas são produzidas com trabalho e tempo. Como nenhum é escasso, pode se aplicar a quantidade que for necessária para se produzir a quantidade que se quiser de capital e tecnologia. Não existe limite no fator primário, também não existe nos subseqüentes. Por fim, sobra a terra. A terra poderia ser escassa, mesmo com trabalho infinito? Até poderia, mas é difícil imaginar que com tanta tecnologia e capital disponível, a terra representasse algum empecilho para a produção dos demais bens ir até o infinito (lembre-se de que todos os outros fatores são “infinitos”, ou seja, colonizar Marte, Europa, transformar Júpiter numa terra gigante não custaria nada!).

[5] Mundo bem viajado esse, não? Então voltemos para o nosso mundo do trabalho escasso. Algo ser um bem escasso significa que sempre um pouco mais desse bem gera uma satisfação adicional, por isso a quantidade sempre é “insuficiente”, mais é sempre melhor. É importante ressaltar o seguinte: “bem”, aqui, é aquilo que o agente em questão considera relevante. Alguém pode dizer que um pé adicional de sapato direito não gera ganho de bem estar algum (se bem que pode nem ser verdade, mas enfim...), dado que falta o pé esquerdo. Mas nesse caso, “bem”, do ponto de vista do agente, seria o par de sapato e não um dos pés. Aumento de satisfação significa qualquer aumento em qualquer instante de tempo. Alguém pode estar empanturrado de mousse de chocolate, mas quer levar mousse para o vizinho, ou quer comer mais daqui a uma semana (e não vê diferença entre uma mousse novinha e uma mousse “de uma semana”). Se as pessoas valoram sempre positivamente unidades adicionais de qualquer bem, significa que estão dispostas a abrir mão de outras coisas também valoradas positivamente, mas menos valoradas, por outra coisa mais valorada. Essa relação de troca é o preço. Se alguém não exigir nada em troca (preço zero) por uma unidade adicional de bem, como ele é escasso, você sempre aceita. Ou seja, a preço zero a demanda é “infinita”.

[6] Mas a oferta não é infinita. O que deve acontecer com os preços dado tamanho excesso de demanda? Os preços devem subir. Quando eles subirem, menos pessoas estarão dispostas a trocar outros bens pelo bem com o preço mais alto, o que torna a demanda cada vez menor. Do outro lado, mais pessoas estarão dispostas a ofertar o bem que está com o preço em alta, aumentando a oferta. Não é difícil perceber que o preço se estabilizará quando a demanda igualar a oferta. A quantidade que os ofertantes querem ofertar, àquele preço, é igual à quantidade que os demandantes querem consumir, àquele preço.

[7] O raciocínio acima foi feito sem especificar nenhum bem, mas ele poderia ser muito bem o trabalho. Usando o termo, “desemprego involuntário”, estaríamos dizendo que, dada a escassez do trabalho, não é possível existir desemprego involuntário, ou, ainda, que existe um preço (positivo obviamente) que iguala demanda e oferta, como no caso do bem genérico. Alguém pode dizer que a escassez não basta para garantir isso. Pensando matematicamente, pode-se ter um “buraco” na curva de demanda bem onde ela cruzaria com a oferta. É verdade, mas estritamente falando, a definição de desemprego involuntário nem faria sentido porque também não se teria um preço de mercado (dado que nenhum preço iguala oferta e demanda). Os economistas matemáticos, para evitar esse tipo de coisa, supõem que as preferências são “continuas”, o que com mais algumas hipóteses gera demandas e ofertas bem comportadas e contínuas. Os detalhes matemáticos não são tão relevantes, dado que nenhum dos autores que advogam a possibilidade de desemprego “estrutural” ou um desemprego permanente em larga escala argumentam com base em buracos de curvas de demanda ou preferências não continuas. A falha fundamental é o não reconhecimento da escassez, de que trabalho se torna cada vez mais abundante de tal forma que não existe preço que equilibre demandas e ofertas sem buraco algum.

[8] Veja, por exemplo, o argumento de que as máquinas substituem os trabalhadores. Os defensores de tal idéia esquecem que as máquinas também precisam ser produzidas, e mesmo que a produção de máquinas utilize máquinas, as maquinas que fazem as maquinas precisam ser produzidas com trabalho. Alguns ainda diriam que maquinas duram muito, logo os trabalhadores ficariam desempregados por longos períodos. Ora, mas se maquinas duram muito, a produtividade do trabalho, o beneficio que ele gera para o demandante, é alta, o que significa que a disposição de pagar entre os demandantes será também alta e que, portanto, se por ventura eles ficarem desempregados, ficarão desempregados com um salário que corresponderia a eles estarem trabalhando todos os períodos, só que com uma produtividade menor.

[9] Na elaboração desse raciocínio sobre desemprego crônico, também encontramos outra negação da escassez, talvez a mais grave delas, a negação da lei de Say (Say devido ao economista francês do século XIX – Jean Baptiste Say), a lei que Keynes teria supostamente “refutado”, ou, como dizem alguns, que a realidade teria refutado. A versão “popular” dessa lei diz que “a oferta cria sua demanda” ou simplesmente “a oferta cria a demanda”. Intencionalmente ou não (eu não saberia dizer) a tal lei vem sofrendo de interpretações que fariam Say discordar da sua própria lei. Mais corriqueiramente a lei é interpretada da seguinte forma: se alguém oferta 1.000 maçãs, então essa oferta criará uma demanda por 1.000 maçãs. O raciocínio mais “sofisticado” (que, na verdade, contém a mesma interpretação acima) é o seguinte: uma empresa produz 1.000 unidades de bens, paga seus funcionários e esses funcionários com o pagamento compram a produção da fabrica. Essa versão é a preferida daqueles que argumentam que existe uma tendência crônica no capitalismo à superprodução, à insuficiência de demanda agregada, que poupança é um problema e outras coisas do tipo (aliás, pelos nomes dos problemas já dá para perceber para onde chutaram a tal da escassez).

[10] A lei de Say não diz que uma oferta de 1.000 maças gerará uma demanda por 1.000 maçãs. Ela diz que a oferta de 1.000 maçãs gera uma demanda equivalente a 1000 maçãs (no valor de 1.000 maçãs), mas de outros bens. O porquê disso é óbvio. Imagine que vivemos em uma economia de escambo. Para que alguém oferta 1.000 maçãs num sistema de escambo? Simplesmente porque quer o equivalente a 1.000 maçãs em outros bens (laranja, abacaxi, computador etc.). Esse querer o equivalente é a demanda que é gerada por essa oferta. Se o sujeito ofertar 20.000 maçãs no lugar de 1.000, estará demandando o equivalente a 20.000 maças de outras coisas. Colocando dinheiro na história, a coisa não se altera muito. Só passa a existir uma etapa adicional, um bem intermediário, no processo de troca. Antes era maçã por laranja, agora é maçã por moeda e moeda por laranja. O que isso tem a ver com escassez? Simplesmente tudo. Primeiro, a demanda de alguém precisa ser paga, não é “de graça” e é paga por oferta. Segundo, o problema jamais é falta de demanda. A demanda, a preço zero, é infinita. É a falta de oferta o verdadeiro problema.

[11] Algo tão simples assim serve para mostrar alguns absurdos comumente lidos e ouvidos por aí. Voltemos à idéia do desemprego crônico ou estrutural. Suponha que a produção das empresas, dada a troca de trabalhadores por máquinas, não se altere. Se ela não se altera, a oferta do empresário para o mercado continua igual, o que significa que do outro lado se tem uma demanda de mesmo valor por outros produtos, além da demanda adicional por máquinas. O que acontecerá com os tais desempregados? Ou vão produzir as máquinas adicionais que estão sendo demandadas ou vão substituir nas outras empresas os que foram produzir as máquinas. Repare a importância da escassez aqui: tirar trabalho de um lado para produzir mais de outra coisa, ao custo de produzir menos no outro lado. A “demanda agregada” não cai porque uma indústria substituiu trabalho por máquinas, pois a oferta agregada continua a mesma. Não há insuficiência de demanda, superprodução ou ainda desemprego crônico. Usando o mesmo raciocínio, e se a produção aumentar, como geralmente ocorre, o que teremos? Ora, uma maior oferta corresponderá uma maior demanda do outro lado. Mais bens estarão sendo trocados e consumidos gerando um maior bem estar. E os salários? Uma máquina, produzida por trabalho gera mais bens do que o sistema anterior sem máquinas. Isso significa que a unidade de trabalho está mais produtiva, gera mais bens, ou ainda, que em termos de bens, o trabalho está mais escasso (e não menos, como muitos dizem). Em termos matemáticos, temos um “salto” da curva de produto marginal (demanda de trabalho), elevando assim os salários em termos reais. Ao contrário do que os “pregadores do apocalipse” dizem, máquinas, ou capital em geral para alguns, não depreciam salário e nem geram desemprego. O resultado é o oposto. Mais capital, mais máquinas, maior a produtividade do trabalho e conseqüentemente maiores os salários, e, detalhe, com o mesmo “desemprego zero” inerente ao sistema de livre mercado.

[12] Após ler tudo isso, certamente uma pergunta permanece na cabeça do leitor. Porque então, mesmo o trabalho sendo cada vez mais escasso, temos desemprego? A resposta é dada pelo mecanismo de preços descrito no começo do texto. Quando tivemos excesso de demanda, o preço subiu para aumentar a oferta e diminuir a demanda. Agora com excesso de oferta (mais trabalhadores querendo trabalhar que empregadores querendo empregar – desemprego), o preço deve cair para diminuir a oferta e aumentar a demanda, de modo a igualar as duas. É o sistema de preços, no caso, o salário, que “enxuga” o desemprego (excesso de oferta). Se os preços não são “livres” para cair quando necessário, teremos excessos de oferta. Ocorre que por pressões de sindicatos, ou mesmo populismo, impopularidade, teorias econômicas erradas, os governos não deixam os salários caírem quando necessário. Travam através de regulações como salário mínimo, custos para demissão, ou até mesmo proibição de se alterar salários para baixo legalmente. Essa impossibilidade, devido às regulações, de se derrubar salários em termos reais é que produz o desemprego crônico que vemos hoje.

[13] Alguns keynesianos (ou neokeynesianos), sem cair no ridículo de negar a escassez, procuraram arrumar novas explicações do porquê de os mercados falharem na produção do desemprego zero. Concordam que o sistema de preços, em teoria, deveria produzir desemprego involuntário zero, e que a rigidez de preços atrapalha esse ajuste. No entanto, para eles, a rigidez de preços é inerente ao sistema de mercado, não é o governo que a causa. Aqui, voltemos à questão do termo “salário de mercado”. Esses keynesianos argumentam que, dada a rigidez de preço, mesmo trabalhadores dispostos a trabalhar pelo salário de mercado, não arrumarão emprego, logo estão “desempregados involuntariamente”. Bem, o termo salário de mercado ganha uma conotação um pouco diferente: agora, salário de mercado é o salário que o empresário quer pagar (até porque, pelas hipóteses iniciais estamos com um excesso de oferta de trabalho, logo não estamos no salário de “market clearing”). Mas na verdade, o empresário não quer pagar aquilo que já paga para trabalhadores adicionais. Se a curva de oferta for bem comportada, ele deseja pagar menos (aliás, rigorosamente falando, ele não gostaria de pagar nada para nenhum deles se pudesse). A pergunta que vem então é: ora, porque raios ele não paga menos? A melhor resposta que um keynesiano deu para a pergunta foi: porque antes foi feito um contrato que fixou os salários. Ora, se o empresário pode obter trabalhadores a um salário mais baixo, loucos para trabalhar, e o trabalhador que fez o contrato será demitido (sem custo nenhum ou burocracia nenhuma, afinal, o governo não impõe regulações) e voltará ao mercado ofertando sua força de trabalho ao salário mais baixo que iguala oferta e demanda, porque raios o contrato não é “quebrado” em comum acordo? Nenhum deu uma resposta muito satisfatória.

[14] Um outro grupo de neokeynesianos, formulou a teoria do salário-eficiência. Devido à dificuldade de se monitorar o esforço do trabalhador, o empresário paga um salário maior que sua produtividade marginal para desincentivá-lo à vagabundear no trabalho. Como o salário é maior que a produtividade marginal, isso gera desemprego “involuntário”. Primeiro, novamente a obscura noção de “salário de mercado”. Se gera desemprego involuntário, o salário oferecido não é o “salário de mercado”, afinal, existe um salário que o empresário deseja pagar por uma dada quantidade e outro que o trabalhador deseja ganhar pela mesma quantidade. Não são iguais, senão teríamos market clearing. Qual dos dois é o de mercado? Para ser desemprego involuntário, basta o trabalhador querer trabalhar pelo salário que o empresário oferta mas não poder fazer isso? Mas se o empresário está disposto a pagar X e o trabalhador a aceitar porque afinal de contas eles não fecham o acordo? Será porque, na verdade, o empresário não quer pagar nada por trabalhadores adicionais (nada?! E a escassez?) e conseqüentemente o trabalhador acha baixo demais preferindo ficar sem o trabalho ou porque na verdade essa maluquice (de querer trabalhar quando as duas partes querem fechar o acordo e não poder) só é possível quando alguém ou alguma instituição usa da força para impedir? O governo, por exemplo?

[15] Só faz sentido falar em rigidez de preço como causadora de desemprego quando a rigidez é imposta pelo governo. Não existe relação entre as duas coisas num sistema de livre mercado. Aliás, nem é possível falar em “rigidez” de preço em termos de mercado. Se antes eu vendia 10h de trabalho por R$100 e agora por R$100 vendo só 5h isso não tem nada a ver com “rigidez”, é simplesmente uma mudança de preferência e a conseqüente escolha visando à maximização dessa “nova preferência”. Não há nada de “involuntário”.

[16] A idéia de que um sistema de livre mercado gera desemprego involuntário, crônico, estrutural, ou seja lá o tipo de nome que se queira dar, é falsa. Resultado, como ocorre na maioria das vezes, do esquecimento, proposital ou não, de um fato básico, a escassez, o que gera políticas desastrosas para uma infinidade de problemas (como as que vemos na América Latina). Quando a escassez não é deixada de lado, a conclusão de desemprego involuntário é obtida da distorção de termos e conceitos, como rigidez de preços, que nada tem a ver com um livre mercado, mas que supostamente seriam resultado de um livre mercado como fizeram os neokeynesianos. Seja qual for o artifício usado, não deixa de ser um erro. E um erro que vêm contribuindo para agravar o problema. No lugar de se defender que a causa exata do problema seja extirpada (a intervenção do governo no mercado de trabalho), a defesa é por mais medidas estatais, como dificultar demissões, sistemas de seguro-desemprego, salário mínimo para aumentar a demanda agregada, privilégios e subsídios para sindicatos. Medidas que supostamente corrigiriam um problema externo ao governo, criado pelo mercado, quando na verdade, é justamente o oposto. Tais medidas são a causa do problema.

5 comentários:

Thomas H. Kang disse...

Acredito que seu texto hoje é a pregação de um claro retrocesso na teoria econômica. Questões informacionais, éticas, custos de transação e outras falhas podem gerar sim fricções.

Confesso que não entendi bem sua argumentação quanto ao salário-eficiência. Pelo que entendi, existiria sempre voluntarismo no desemprego, uma vez que, em condições de mercado livre, o empregador ofereceria quem sabe 1 real por mês (possibilidade extrema) pra maximizar o lucro. É isso?

Até Platão se ofenderia com sua proposição de perfeição do sistema de preços para aplicação no mundo real.

Quanto às proposições novo-keynesianas, alguns deles achariam melhor o fim do salário mínimo. O fato de ser novo-keynesiano não significa necessariamente pregar mais intervenção.

Que tu acha dos sindicatos e dos modelos insider-outsider?

Christiano Milfont disse...

cara, só um toque, diminua o tamanho dos textos usando a estratégia de soltar como capítulos, daí voce solta um por dia.
Não se preocupa em movimentar o blog e dá tempo de todo mundo ler/acompanhar sem se perder, porque seu eu paro agora em uma parte, da proxima cves que for retomar tenho que ler o texto por cima para ver onde parei...
ta legal o blog, com o tempo voce pega o rumo!

Wander disse...

Só um pequeno comentário, um adendo não referente especificamente ao texto. A curva de oferta de trabalho neoclássica é uma das coisas mais inverossímeis desenvolvidas por essa vertente. Eu (assim como Keynes) sou da opinião que o famigerado trade-off entre lazer e trabalho tem baixo poder de explicação para a realidade dos trabalhadores, principalmente mais pobres (algum trabalhador pediu demissão por que a aceleração inflacionária reduziu o salário real?). De qualquer jeito, essa construção é bastante usada nas modelagens usuais. Mas não me sinto confortável com esse tipo de suporte teórico.

Richard disse...

Thomas, eu não teria nada contra os sindicatos se eles fossem apenas uma espécie de cartel voluntário dos trabalhadores, um acordo entre eles, sem invasão de propriedades, para restringir a oferta de trabalho e elevar seus salários. Ocorre que os sindicatos existentes não funcionam dessa forma. Eles são basicamente sustentados por subsídios do governo (através de impostos) e regulações que obrigam a filiação dos trabalhadores. Além disso, se comportam (e se comportaram) de maneira criminosa, invadindo propriedade privada, usando da violência contra industriais e trabalhadores “rebeldes”. É natural que sejam assim. Sindicatos são inúteis em um livre mercado. Existem milhões de trabalhadores. É impossível formar um cartel voluntário num mercado desses, logo só através da força eles teriam alguma efetividade na restrição da oferta de trabalho.

Sobre os modelos insider-outsider, o que acho mais interessante neles é que deixam claro que os sindicatos são incapazes de elevar os salários de “todos” os trabalhadores. Eles sempre mandarão a conta para os “outsiders”. Algo parecido com o que acontece no caso do salário minimo. Também mostram a inutilidade da suposta “solução”, sindicalizar todo mundo (transformar todo mundo em insider).

Richard disse...

Cristiano, obrigado pela sugestão e pela visita. Qto a primeira, tentarei adotá-la.